BILHETE AOS SOBREVIVENTES

A Pandemia já fez seu aniversário de 1 ano e você talvez não se atentou para um fato: você é um sobrevivente desta ocorrência biológica que marcará os livros de História e remodelará tudo a partir dela. As percepções e sentimentos do ser humano já são outros. Os comportamentos mudaram muito. O grau de expectativa assumiu níveis diferentes com base em critérios diferentes.

O luto passou de uma acepção pessoal para uma acepção coletiva. É como se todos estivessem em um estado de luto global. A dor é sentida independente da pessoalidade ou proximidade. Os doentes são de todos, os mortos são de todos. Não dá para separar as coisas. Tudo e todos estão sujeitos aos ditames do vírus e todas as autoridades se voltam para a busca de uma solução definitiva: pesquisas e orações são elementos de um mesmo desejo de libertação desse mal global.

Aos que sobreviveram até aqui, duas palavras: gratidão e responsabilidade. Gratidão pela extensão da vida e pela saúde (mantida ou recuperada) e responsabilidade pelo modo de viver e o novo formato de existência. A reconfiguração dos padrões de prioridades e a missão de honrar a memória daqueles que perderam esta guerra.

Todos são responsáveis por quem se tornarão após esta experiência de quase morte. A incerteza do amanhã torna o hoje muito mais belo e apreciado. O tempo passou a ser contado literalmente em dias e cada dia vivo é uma dádiva inefável.

É com imensa satisfação que aceitei o desafio de assinar esta coluna e empreender com a máxima responsabilidade e ética o sacerdócio da comunicação opinativa, retratando a dinâmica mundial, nacional, regional e local. E como em um diário dos sobreviventes, convido a cada leitor a compartilhar esta experiência da reflexão crítica deste era que se inaugura chamada de Novo Normal.

Autor: Rafael Teixeira é servidor público, educador e pensador existencialista

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